cep 20.000 - centro de experimentação poética


  - cinema vale a pena ? 

  - yo no credo, alfredo !

 

 

 

 

ÓPERA PLENA

 

O lugar do cinema é na tela ? e o da poesia ? no livro ? o lugar do teatro e da dança é no palco ?

e o das artes plásticas ? no museu ?

Parto do princípio que tenho dificuldade para assistir filmes. Boas atuações, roteiros, trilhas, o despropósito das dimensões do corpo humano, não substituem a presença ao vivo de uma pessoa, respirando, atuando a alguns metros de você.

Ora, dirão, feliz o ser humano que tem o cinema e o teatro, a poesia e a música, e pode escolher o que lhe convém. Ora direi, feliz o ser humano se lhe bastasse as coisas que lhe são postas. Que não lhe ferisse sempre, qual uma vértebra fissurada, o desejo de algo mais, como se pudesse recriar na arte, a inconsistência da vida.

O artista tende a reproduzir desesperadamente o desespero e a maravilha maravilhosa chamada Vida. E para isso, todas as formas de expressão ainda são poucas.

Partindo da minha experiência com a palavra, que de tão presente e urgente, pulou do papel e  assumiu a fala, voltando ao que já fora, retomando o que não era, penso na possibilidade das outras linguagens saírem de seus suportes tradicionais e se pusserem umas a disposição das outras para, explorando suas qualidades, potencializarem a expressão humana.

Nesse sentido, o cinema abduzir o poeta, mesmo sob o pretexto de ampliar sua repercussão, em salas e tvs e dvds de todo o planeta, está lhe impedindo a presença, a performance de viva voz. Mal faria o poeta que apenas utilizasse a potência do cinema apenas como um pano de fundo do seu showmício.

A poesia é uma linguagem frágil. Muitas vezes se anula em relação a outras falas mais potentes como a música e o teatro. Bandeira musicado desaparece. Pessoa interpretado diminui. A Poesia é a fala e nada mais. Qualquer intensão de quem a fala, vai limitar suas plurimúltiplas possibilidades. Essa prerrogativa é privilégio do receptor que deve ter total liberdade de perceber o poema como bem quiser. A poesia falada é planta frágil, uma avenca, um hibisco. Mas traz em sua essência, a palavra, esse baobá, essa sumaúma insuperável, onipresente, absoluta.

Mas a palavra não é som ? E nesse aspecto, a música, essa harmonizadora de freqüências sonoras, não lhe supera ? A música é a fala dos anjos e dos demônios, desses seres que já superaram a vã comunicação e apenas são. Nós, humanóides paranóicos, percebemos na palavra, o som que nos leva aos deuses e o sentido, casa do diabo. E ralamos, roemos, moemos o mais duro dos ossos apenas para dizer bom dia.

Enfim, na buca do papo perfeito, temos à mão, muitas possibilidades, assim como são infinitos os sentidos. Buscar sua potência máxima, recuperando o olvido, a vox , a visão visionária, o tato compacto, o faro perdigueiro, o paladar do céu da boca, um dia faremos o supra sumo das óperas plenas e pândegas.  



Escrito por cepchacal às 14h35
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Estive ontem, dia 10 de julho de 2006, com a Sra. MARIA ALICE SABOYA, Coordenadora de Cultura do Pan e atual subsecretária de Cultura do Rio, cargo correspondente ao de Presidente do Rioarte, órgão extinto esse ano pelo Prefeito. Foi uma conversa tristemente agradável. Triste pela situação de penúria e de entrave burocrático em que se encontra a (secretaria de) cultura carioca. Agradável pela sua simpatia e sinceridade.

 

Levei três propostas para a Subsecretária:

 

1 = A primeira, a pedido dela, insere-se no Pan, espécie de “salva pátria” do Rio de Janeiro. O nome da proposta é “POEMÓBILE, A GRANDE ARRANCADA DO CORREDOR CULTURAL” e  idealiza uma van adaptada, com um palquinho sobre a capota, como um mini trio elétrico, com uma trupe de poetas, artistas plásticos, atores, músicos, videomakers fazendo escarcéu. Em cinco pontos do Corredor Cultural do Centro da cidade: Praça Tiradentes, Largo de São Francisco, Arcos da Lapa, Cinelândia e Praça XV, a van pára e pira, sob o olhar estupefacto dos circundantes. A van estará equipada com som, luz e telão. Maria Alice gostou da idéia do Corredor Cultural, um personagem de uniforme de atleta mas com violão, paleta de tintas, canetas Bic, sapatilhas de dança, etc. O Corredor irá em cima do “Poemóbile”.

Aos eventuais patrocinadores, só posso dizer: Retorno garantido ou seu dinheiro de volta.

 

2 = A segunda proposta diz respeito ao Centro de Experimentação Poética: CEP 20.000 (razão e alegria desse blog). Fui reivindicar a continuidade do projeto até o fim do ano, já que ele só tem gás para chegar até agosto quando faz 16 anos de gloriosa existência, sempre se renovando na missão de formar público e artistas. Primeiro e fundamental palco de uma série de revelações poéticas, artísticas, musicais no cenário nacional.

Em setembro, o CEP tem data marcada no Teatro Sátyros, na Praça Roosvelt, em São Paulo, dentro da grande parada “Satyrianas”, um “non stop show” de 72 horas ininterruptas. Gostaria de poder fazer o CEP 20.000 no Rio e em São Paulo, uma vez por mês. Vamos a ver.

 

3 = A terceira idéia que encaminhei à Subsecretária foi a de uma festa para comemorar

 20 ANOS DO ESPAÇO CULTURAL SÉRGIO PORTO, segundo documento assinado pelo grande poeta Gerardo Melo Mourão, então presidente da Fundação Rio, em 86, dando conta da inauguração do espaço de caráter multidisciplinar.

O Sérgio Porto é palco de grandes projetos como o Panorama da Dança, do CEP 20.000, o Humaitá Pra Peixe, o Festival Carioca de Esquetes, o Música Experimental, além das super exposições em suas galerias e das excelentes temporadas teatrais. Se cada um dos curadores dessas áreas e projetos, fizesse a curadoria de uma noite e uma direção geral desse uma unidade à semana de festa, a vida seria um espetáculo.

O Espaço Cultural Sérgio Porto é uma conquista dos artistas do Rio de Janeiro, exemplo de vitalidade e experimentação, de dedicação e interatividade artística e social nessa cidade. Nesse momento de insatisfação e declínio, urge que os artistas tenham pique e garra para comemorar essa magnífica conquista deles mesmos.

 

 Allez up !!!!!!

 



Escrito por cepchacal às 09h15
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RATOS DI VERSOS
 
essa é a parada. herdeira mais subterrânea e marginal do Planeta Letra. Dois dos melhores poetas de última geração, comandam o espetáculo: Daniel Soares e Dudu Pereira. Eles que começaram no CEP no início do ano passado, percorreram as lonas culturais da zona oeste e norte, fundaram o planeta letra, começam agora a organizar o carnaval. Junto com eles, galera de incontinentis verbais: carluxo, maristela, maurição, nietzsche e convidados. a parada é um buraco, é um beco na lapa, pertinho dos travecos da praça paris. é o beco de manuel bandeira. é O Beco. vida longa aos Ratos Di Versos
 
Sent: Monday, July 10, 2006 1:16 AM
Subject: Beco do Rato

   O Dalberto estará lá, vociferando fera que é?
   E a maristela estrelará?
   Carluxo, levará sua lira luxuosa?
   Juju, reaparecerá?
   Chacal, será que vai voar até lá?
   E a Bia, surgirá montada na corcunda do Chacal?
   E o Dudu vai dadá uma palhinha do seu dom?
   Maurição cairá de parapente no palquinho?
   E o Gean, pintará o sete e o infinito?
   E você, que me lê?
   E você, que me lê?
   Estará lá???

   ***RATOS DI VERSOS***!!!

   Esta quarta, dia 12/07
   No Beco do Rato, no início da Joaquim silva,
próximo à termas Rio Antigo, Lapa.
   A partir das 19:00
   Vamos com tudo!!







Escrito por cepchacal às 10h17
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