
próximo CEP, 24 junho,
TERÇA FEIRA, 20 HS
TEATRO DO JOCKEY
(RUA BARTOLOMEU MITRE, 1110 / PERTO DO MIGUEL COUTO /
LEBLON / BAIXO GÁVEA)
ENTRADA FRANCA
ADMIRÁVEL MUNDO NOVO
Arnaldo Brandão
The Alberto’s
Flavinha Couri
RONALDO SANTOS
PEDRO ROCHA
Tavinho Paes
DADO AMARAL
KYVIA RODRIGUES
Bárbara + Eliza
Tropicália
GABRIEL LEIRBAG
BRUMÁRIO EXPERIENCE BLUES BAND
Bebendo Beats
Na Boa Cia Teatral
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A PARADA É UMA HOMENAGEM A 68 E TODA
PSICODELIA TROPICALISTA E BEAT DA ÉPOCA
QUEM TIVER ALGO NO GÊNERO E QUISER PARTICIPAR
com relatos de badtrips, imitações de gal, raul, mutantes,
dylan, stones, beatles, etc etc,
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Escrito por cepchacal às 15h52
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O ESPANTALHO E O AGROTÓXICO
Hoje, quarenta anos depois de maio de 68 em Paris e do AI 5 no Brasil, podemos ver com uma certa distância e perceber dois momentos diversos na cultura do país e do mundo. Nos anos sessenta, a repressão, a censura, o controle estava nas mãos de um truculento governo militar, sustentado por instituições conservadoras e pela política imperial americana. Era um poder autoritário, torturador, ao mesmo tempo grotesco, bufo. Na verdade, um Espantalho. Para todos os que lhe faziam oposição, seja através da luta armada ou através da mudança de comportamento social, era a ele que se imputava toda a culpa por aquela situação. Era uma postura cômoda de certa forma. Nós éramos a vítima. E se não podíamos fazer nada, culpa do Espantalho. O inimigo era tosco. Protegia com brutalidade absoluta, os interesses de uma casta que queria manter pra sempre seus bens materiais e seus princípios filosóficos. Aqui leia-se o racionalismo científico, a lógica capitalista, poder e glória ao homem branco protestante ocidental. E nós ali, na impossibilidade de incendiar o império, organizávamos a massa ou fazíamos poesia e carnaval.
Me lembro que a inércia era vivida por grande número de artistas / intelectuais e seus copos de whisky que a atribuíam ao Espantalho. Nada era possível fazer enquanto durasse aquele estado de coisas. E nós invadindo cursinhos, escritórios, em busca de mimiógrafos para rodar nossos poemas. Mas também achávamos que a culpa era daquele ogro de palha, encafifado no Planalto. Mas os confundíamos com os azulões malditos, aqueles homenzinhos azuis do filme Submarino Amarelo. E trocávamos o destilado de trigo por substâncias que modificavam nosso estado de percepção e consciência. Intuíamos que o Espantalho não era o único culpado, que ele poderia ser o testa de ferro de um inimigo muito mais cascudo. Um Golias que deveria ser batido com a pedra de toque da poesia. Com hábitos alimentares mais saudáveis. Com pouco apego, pouco apego, pouco apego. Tudo passa, bicho. Até isso o Espantalho detectou. E depois de exterminar à luta armada pelo poder material, passaram a sufocar os que queriam outras forças no comando.
Um dia o Espantalho, pressionado por uma sociedade há décadas sufocada, resolveu se abrir. Vão-se os anéis. A batalha já estava ganha. Então o fabricante de espantalhos, resolveu que seria melhor investir em algo menos assustador e mais eficaz contra os eternos gafanhotos. E introduziu o Agrotóxico. Essa sim, uma arma diabólica, onde o veneno é inoculado e atua dentro do inimigo. Não mais palhaços de palha e ridículas roupas caipiras, mas um pó invisível, inodoro, letal. Uma arma digna de uma sociedade de mercado.
Hoje, quem se guiava pelo espantalho, perdeu o foco, anda falando sozinho. E o pior, a paranóia clássica da era do Espantalho, onde tudo lhe era atribuído, hoje se passa no interior da pessoa. Como falar mal das grandes multinacionais, do governo, se é deles que provém o sustento de cada um ? Como criticar as grandes empresas de comunicação, se são elas que dão a visibilidade necessária para vendermos nosso peixe ? Pronto, quando se pensa assim, é porque o Agrotóxico está fazendo efeito. Quando procuramos adaptar nossa linguagem, nossa invenção mais desejada às regras do mercado, aí é encomendar o caixão.
O sistema é muito esperto. Mas suicida. Já não sabe ou não quer mais adiar o fim definitivo. Fizeram tudo para se manter no poder. Aos inimigos, tentaram desqualificar com os termos: marginal, besteirol, desbunde, hiponga, bicho grilo, nanica , sapatão , boiola, macaco, tiziu. Ganharam alguns em troca:
patricinhas, mauricinhos, playbas, yuppies, wasps.
A guerra não terminou. Houve ganhos e perdas dos dois lados. Hoje os criadores do Agrotóxico se intitulam Sistema Único. Invadiram o oriente e serão invadidos por eles.
Virão ainda com outros biotóxicos em escala crescente como o gás sarin, o antrax e outras guloseimas. Mas dentro de cada um, do mesmo jeito que o mercado opera para reprimir qualquer subversão, um índio, um caboclo, um chinês, um xamã, um griot, confabulam.
e a um só sus !
todos invadirão !
chacal (rio 08 / 06 / 08)
Escrito por cepchacal às 22h52
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