
O CEP é uma nave espacial em busca de metais raros em planetas aborígenes. E dessa vez quem embarca para fazer flutuar essa nau dos insensatos´são OS RITMISTAS, banda mítica pralá de parangolé. Vejam o que fala deles o menextrel mor Jorge Mautner, logo aí embaixo. Os Ritmistas, esse bloco lendário de excelentes músicos 2.0 alma digital que teve grande presença no CEP dos idos de 90 com o Mulheres Que Dizem Sim, Good Night, Varsóvia, Rubinho Jacobina e tantas experiências saravalizantes. Então, é muito bom, ver a galera se incorporar a esse avião mesmo que por alguns minutos. A inteligência do planeta escoiceia as amarras das trevas e elegantemente flana pelo imponderável do espaço sideral.
Paralelamente, a poesia se manifesta em festa com tal magnífica companhia. High Poetry sai da boca de Alice Sant'anna, a moça que anda arrebatando uma profusão de admiradores pelo seu recem lançado livro "Dobradura". Mais Zé Urbano, um poeta de exemplar formatação, que espanca umas teclas no Zumbi do Mato. Daniel Letrafera Soares é a voz em forma de artimanha e Chacal, um cara dividido entre Rio e São Paulo.
Poderá haver inclusões e exclusões como costuma ser esse evento cheio de clamor e eloquência. Vê se deixa a indolência de lado e segunda feira, dia 20 de outubro, zarpa para o Sérgio Porto. É muito barato para vc perder.

Os Ritmistas como o título indica significa um som que enfatiza os ritmos e demonstra como o próprio ritmo se torna melodia que envolve toda a harmonia e que ao contrário de demarcar fronteiras musicais, amplia todo o universo musical produzido e a partir daí se torna uma variação fascinante de um vai-vem de ritmos-melodias-harmonias transfigurados que a nossa alma e cérebro recebem com prazer e com um certo espanto também prenhe de belezas e de surpresas. Seria como se as pausas que são silêncios, ausências de som, se tornassem também ondas musicais. É fazendo este tipo de alquimia, ao mesmo tempo cheia de estranheza e de beleza com doçura que nossas almas ouvem este som e a felicidade se introduz em nós de maneira nova, diferente mas sempre sutil como o fascínio dos sonhos. Não é a toa que tudo isto, este ondular de fronteiras entre ritmo-marcação, melodia abrangente mas não dominante, nos remetessem para o universo do impressionismo, aonde sugestões e orientalismos se intercalam fazendo ondular todas as antigas fronteiras rígidas. A música “Samba de Pacto” já nos indica esta vontade de penetrar em territórios proibidos e malditos e nesta canção os ritmistas entram em verdadeiro frenesi. Parece que a vontade de penetrar em novos territórios de sensações nunca vistas predomina no cerne das intenções e resultados deste disco, no qual, ao ouvi-lo não se sabe se pertence ao reino dos anjos ou ao reino dos demônios ou talvez em algum ponto neutro situado entre estes dois reinos. O ritmo que em geral constrói o chão, o solo, a base, aqui se demonstra que se quiser este ritmo levanta vôo e se metamorfoseia e se entrelaça e se transfigura com as notas das melodias, harmonias, contrapontos e da dinâmica norteadora! É também muito concretamente um disco de canções perfeitamente elaboradas no sentido clássico desta definição. Os três ritmistas alquimistas são Stephane San Juan, Domenico Lancelotti e Dany Roland e tem como convidados Nelson Jacobina, Wilson das Neves, Pedro Sá, Kassin, Mauro Zacharias,Thalma de Freitas. Como se vê esta combinação de talentos de vozes e instrumentos interpenetrados por uma nova alma rítmica que transcende a sua função clássica de marcar e demarcar os sons, com pausas, batidas, baques e repiques, se torna uma presença dominante em todos os sentidos musicais e sensoriais. Para ilustrar mais ainda esta maravilhosa e inédita paisagem de mundos interativados e para abrir todos os tipos de apetite, há uma música em que uma receita culinária é recitada e recomendada, envolta em batuques, mostra mais do que claramente os universos paralelos da comida e da música, a fome e o apetite de ambos e finalmente o imenso prazer que nos causam e além disso a sua aguda necessidade vital para a sobrevivência da espécie e o paralelismo dos conteúdos e desejo, enfim, orgasmos de todos os tipos entrelaçados fazendo o nosso ser vibrar. Ritmos, pulsões, pulsações, impulsos, instantes, eternidades, fronteiras de todos os mistérios!
JORGE MAUTNER
http://www.myspace.com/osritmistas

Escrito por cepchacal às 17h43
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