cep 20.000 - centro de experimentação poética


CEP 19 ANOS / NA CONTRAMÃO DO DESACONTECIMENTO / SOB O OLHAR CÚMPLICE DO CARLUXO CARA FEIA

O CEP fez 19 anos na quinta passada. Não foi aquela hecatombe de público que comparecia ao Sérgio Porto nos anos 90. Mas, para quem estava indo pela primeira vez, decerto saiu estarrecido. O espaço é muito bom e confortável. Cervejinha accessível. E a programação é um chuá. Esse ano tivemos a surpresa agradabilíssima de Augusto Madeira, que falou versos próprios e alheios. Falou que apesar de ir pouco ao CEP, fica muito feliz de saber que ele está lá. Acho que esse é um sentimento generalizado. A cidade, ao menos suas cabeças mais felizes, parece que pensa assim. Sair à noite para ir a algum evento é que são elas. Culpa do CEP ? Não muita. A noite do Rio em particular e do país como um todo, virou  uma ficção. Só essas intrépidas velhinhas das vans, esas abnegadas, que desprezam a novela, a violência das ruas e o toque de recolher que espanta a boemia. Triste país, hediondo planeta, onde a produção, o trabalho, o emprego tem que ser preservados a qualquer custo. Adeus Boemia. Mas o CEP resiste. E lá estavam os guerreiros: Pedro Lage que disparou um poema belíssimo, uma cantiga de escárnio. Alberto Pucheu fez a sala ir ao delírio, com seus jabs e uppercuts, um direto no queijo da letargia. Éber é a quintessência do nada. Tirou seus verbetes esporrantes, suas pílulas do riso da algibeira de uma caixa da sapato. Piriquitinho da sorte. É um deus. As Doidivinas não tem pra ninguém. São musas, entidades supremas. Cantem o que cantarem, eu despenco e saio dançando. Tavinho Paes anunciou alguns megainventos mas fez foi falar um poema em homenagem. Tavinho Gracias aos Céus devia ser tombado. Um herói do lumpesinato poético dessa cidade. Juju Hollando mandou um texto certeiro em homenagem ao CEP. Outra dama das noites exíguas da antiga maravilha de cidade. Os 7Novos continuam imbatíveis. Mandam vídeos estapafúrdios sobre a vida e a morte de Michael Jack. Depois andam pra trás e cospem pra cima. Augusto imitando Steve Wonder é o que há. Grato muito a Mariano e Domingos, parceiros de sempre, que vestem a camisa e se divertem muito. Tivemos o lançamento do livro de contos do Clube da Leitura do sebo Baratos da Ribeiro. Foi pura efeméride. Um rinha de galos de gala. Maurício Gouveia, qual um chacrinha ilustrado, botou suas fichas na mesa. Carmen Molinari, que estréia como contista no pequeno compêndio, estava imbatível. E o Ribas ? Um Sinatra, uma Clementina. E teve mais muito mais. Um gringo carioca, Marco, que ficou vidrado com a cena. O Ricardo Rodrigues, um ceguinho elegante. O Pedro Henrique, o A Renata e sua mãe que vieram de Floripa para conhecer, saíram felizes. Eram elas, o público.

Enfim, mais um CEP. Dezenove anos de insubordinação. Carregando nas costas o peso pesado da instituição, da burocracia, esgrimando com brigas internas. Assim caminha o Centro de Experimentação Poética. Até quando ? Se Deus quiser, pelom menos, até chegar aos vinte anos. São Paulo já se movimenta para comemorar. Vamos a ver.

beto pucheu

  

augusto e mariano

pedro lage

 

juju holanda

 

doidivinas

 

      carmen molinari    ricardo rodrigues



Escrito por cepchacal às 06h56
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 inverno de julho
 romã neptune
 lorena poema
 ubuweb
 carol bru
 jaguadarte
 as escolhas afectivas
 artéria 8
 aerograma
 augusto de campos
 chacalog
 radiocaos
 ademir assunção
 ´revista cronópios
 verbologue
 mário bortolloto
 fernanda d'umbra
 ivana arruda leite
 arruda
 joão paulo cuenca
 paulo scott
 cardoso
 bruna beber
 cecília gianetti
 robson leite
 os sátyros
 jack kerouac
 willian burroughs
 rosa de plutão / bárbara araújo
 pirata Z
 erratica
 caroluisa
 sobrecasaca
 numa noite qualquer
 nem queiroz
 brogue - raul mourão
 caio caio
 AVIVA / glauceguima
 DIGINÓIS