cep 20.000 - centro de experimentação poética


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CEP DE MAIO DE 2010

 

Ontem teve CEP. Ainda com o tempo incerto. Acho que preciso contratar o Cacique Cobra Coral para fazer sua dança anti-água. Em 20 anos de CEP 20.000, me gabava de nunca ter chovido nos dias D. Mas de uns dois anos para cá, desde que fomos para o Teatro do Jockey, depois do fogo no Sérgio Porto, que São Pedro faz questão de mandar chuva. Dia de CEP já ponho minhas barbas de molho.

Mas ontem mais uma vez, a poesia vigorou. Desde o início com As Insupotáveis Crianças (Marília Garcia, Alice Andrade, Victor Heringer, Domingos Guimaraens) + Dimitri Br (nos climas diversos) que a poesia fez sua graça. Confesso que ainda sinto falta de mais punch. Não que o poema tenha que ser vociferado como fazíamos durante um bom tempo no CEP, como que as palavras que saíam a fórceps de dentro de cada poeta, tivesse que entrar no berro em cada pessoa da platéia. Tava errado. Agora acho só a leitura um pouco pouco. È lindo a presença dos poetas, o jeito de cada um falar, a dinâmica das vozes. Mas creio que o poema ainda pode ser melhor transmitido. Mas o CEP é isso: centro de experimentação. Sem medo de errar. A vida não tem erro nem acerto. Tem tentativas de melhorar. O mais legal é que existem poetas, pessoas entestadas com as palavras e que se encontram no CEP para delirar deveras. Esse mundo caretinha, cartão de ponto, projeto, objetivo, justificativa, orçamento, release, circular, tem que dar meia trava uma vez por mês para ver essas crianças insuportáveis ler seus versos, viver suas vertigens.

Crianças insuportadas, adentra o gramado, Mariano Marovatto, o mentor, com sua Maravilha Contemporânea. E vez chover. Dois violões, uma batera exata e a pianista Alice. Foi um show de talento e paixão. Mariano tem o bicho pop instalado no corpo. Abriu com um Paralamas irretocável. E foi. Lá no fim, Luiz Antônio ou Zé Augusto, tanto faz, aquele que não foi porque o Rei chegou primeiro. Mas Zé se vingou do Rei que a interpretentação do Mariano. Cantou se rasgando, debruçado sobre o piano de doralice, a mais sequelada balada de amor dos últimos tempos. Já tinha visto aquilo raras vezes. Com Alex Hamburger no próprio CEP, cantando um Roberto e uma vez no Mistura Fina, um beijo de longa metragem. Quem? Quando? Deixa pra lá. Mariano, és, mais que o rei. A grei agradece.

E na seqüência subiram ali no chão, a poeta loura, Laura Liuzzi e o poeta prosa Lucas Viriato. Duas pérolas do nosso cancioneiro ilustrado. Eles abriram um novo quadro que espero duradouro: o Em Lançamento. Poetas, escritores que estejam lançando livros, para lançá-los literalmente no CEP. Se nunca conseguimos fazer bons lançamentos no CEP, por falta de hábito de se comprar livros lá, ao menos o poeta mostra a cara, o livro e dá uma palinha do seu trabalho. Ali de poeta para poetas, de escritor para escritores. Vai melhorar quando o CEP conseguir minimamente se digitalizar. Um dia. (Em tempo: fiquei muitíssimo emocionado e feliz com a presença de Sérgio Liuzzi, pai da Laura, arquiteto, desing e responsável pelas ilustrações do meu primeiro livro “Muito Prazer” e por meu nome de guerra, Chacal. Ave Liuzzi! Sangue bom e sua finíssima estirpe).

Aí falei eu. Esqueci um poema. Retomei e fui até o fim. Não é muito bom, apresentar e se apresentar. A gente joga muita conversa fora para tapar os buracos que sempre vão pintando.

(Será que é o desconforto com o silêncio?)

E tem dias que falta luz. Depois vc vai apresentar seu número e ele não binga. Vaias pra que te quero. Deu vontade de me autotomatar-me. O CEP, com a ajuda da 7 Letras, está em transe. Muda de estilo, de década, de onda. Vamos chegar já já a algum lugar. Espero que seja lá.

O Teatro do Nada entrou rasgando. Fez improviso à moda Nelson, a la Tarantino. Eles tem a essência do CEP. Não fosse o grupo do ausente (por ossos do ofício) mas sempre presente, Éber Inácio. Ao sabor das ondas, do vento, da vida. É a invenção em estado bruto. O CEP abraça e abarca. A cena, o som, a palavra, tudo ali, um depois ao mesmo tempo do outro. Gratíssimo Teatro do Nada.

Por fim, enfim, no fim, fecharam a miss linda cristina flores, minha atriz e diretora favorita. Ficou ali fazendo a festa no palco enquanto Gabriel Fomm e banda de sopros e bateria, tonitroavam o excelente poeta e compositor Sérgio Sampaio. Tomara que o trabalho se firme e renda shows, temporadas, clavicórdios. É a palavra maldita do bardo capixaba de cachoeiro, a mesma do rei, muito bem dita, cantada e dançada. Cris vai experimentando e criando seu personagem extraído do livro de Ieda Magri, aquela que se ouve, mas não se vê. Por quê? Enfim ...

(em tempo 2: queridíssimas presenças nesse cep: fausto fawcett que me levou um livro de presente de aniversário: exile in main street, a ga do album duplo dos stones de 71. ave fausto, parceiro de toda vida. minha dulcíssima amiga e pé de valsa, cristina melo, arquiteta e deusa. e a poeta, professora e excelência, mazé (nós) lemos. e também o ricardo dias gomes, sua digníssima, aplicando seu pequeno e grande filho de CEP.

que venham mais. que venham sempre !

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                                                      barrão e laufer em algum cep de aniversário

 

 

 



Escrito por cepchacal às 09h47
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