cep 20.000 - centro de experimentação poética


CARTA DE GERARDO MELLO MOURÃO

EM 21 DE OUTUBRO DE 1986

 

Foi necessário cerca de três anos de luta e dedicação para que a Fundação Rio pudesse entregar ao público carioca – como o fará no dia 21 de outubro de 1986 – o Espaço Cultural Sérgio Porto. Ali na rua Humaitá, 163, em um dos bairros mais tradicionais da zona sul do Rio, estão plantadas as bases de um endereço que pretende ser um agente dinâmico e polarizador da vida inteligente da cidade: um espaço aberto à permanente ebulição da arte em todas as suas manifestações, capaz de centralizar a atividade criadora e integrar público e artistas de todas as áreas em um só movimento renovador e vigoroso.

O Espaço Cultural Sérgio Porto reafirma a tendência moderna e revolucionária – observada nas grandes capitais do mundo – de reunir em um só ponto, a história, o debate e o processo criador das diversas faces de um só prisma: a cultura. Música, teatro, cinema, vídeo, fotografia, artes plásticas e literatura coexistindo e interrelacionando-se em um movimento catalisador, oferecendo ao público e aos próprios agentes e produtores de arte, um caledoscópio de possibilidades.

Assim o Espaço Cultural Sérgio Porto – em homenagem aquele que encarnou, quer sob o heterônimo Stanislaw Ponte Preta, quer sob seu próprio nome, a imagem do carioca típico, do homem afável e mordaz, flatteur e político – propõe a revitalização do viver civilizado do Rio.

1.     Em teatro, o projeto prevê o debate sistemático sobre a prática e a teoria de processos de criação, ciclos de leitura, ensaios públicos e a ocupação de uma área de 500 metros quadrados para a realização de shows e espetáculos teatrais.

2.     Em música, propõe-se o funcionamento simultâneo de audições de discos comentadas, concertos, oficinas instrumentais, pesquisa e feira de instrumentos e materiais musicais.

3.     Em cinema e vídeo, a inauguração de uma sala de projeção e mostra permanente de ciclos fundamentais à compreensão da história do cinema.

4.     Em artes plásticas, exposições, arquivos audiovisuais e realização paralela de conferências e debates.

5.     Em literatura, programação de seminários, cursos, encontros, conferências e lançamentos de livros, além da organização de uma biblioteca de cultura e arte contemporânea.

Essa atividade abrangente que ocupará toda a semana, de manhã à noite, tem um objetivo fundamental,  qual seja o de centralizar em um só espaço – o “Sérgio Porto”- um público jovem e preocupado com o “fazer cultura”, ponto de partida para a identidade e afirmação de um povo em qualquer processo civilizatório. Se é verdade que um país só se funda quando é fundado culturalmente, esperamos poder contribuir através do Espaço Cultural Sérgio Porto, para alicerçar as bases futuras de uma civilização brasileira.

 

Gerardo de Mello Mourão



Escrito por cepchacal às 16h09
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FOTOS DO CEP DE JUNHO

 por diba delgado

 eu

 dado amaral e eu

arnaldo, eu, alberto, tavinho c/ a bola e flavinha



Escrito por cepchacal às 19h59
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Foi maaassa!
Pra mim que não era nascido em 68
curti um pedaço daquele ano no CEP
 
O Ronaldo Santos botou pra fuder com as imagens beats correndo através do microfone. "A arte é um martelo", puta que pariu, hã?!
Você falou um poema teu que é psicodélico pra caralho, e eu não conhecia, e acabei viajando em tudo, e gostaria que você colasse aqui. O poema fala sobre esse martelo que usamos na nossa confecção: A Palavra.
lembra?
 
Eu não conhecia o Éber Inácio, e também achei muito louco. Tanto os poemas quanto a forma dele falar, tem um humor embutido ali, em como fala. hshshshs
 
Arnaldo Brandão tocando Dylan e I am the Walrus do Lennon foi foda. Foda. Violãozinho com efeito filhodaputa.
 
E o piano no final?! Com inserts de clássicos como While my guitar gently sleeps? Fechando com chave de ouro, no maior climão clássico + 68. Só espero ter contribuído com o 'Vamos embora, Putaquepariu' pra toda essa avalanche.
Chacal, cara, achei sensacional, quero dizer que vou estar presente lá no dia 11 para continuar conferindo o CEP. Não vou perder um. Ainda por cima vem o Bortolotto...
 
gabriel leirbag
 
poema do Gabriel
 

                                                                                                                           A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA

  

Vamos embora, Putaquepariu.

Vamos procurar tua mãe.

 

Tu vai crescer, tu vai estudar

ser um jovem revolucionário, Putaquepariu, 

os outros vão te seguir,

vão querer ser como você,

vão sair de casa, adeus pai mãe,

tu vai ser um ídolo, Putaquepariu,

ídolo é mais que famoso

que é mais que celebridade

que é mais que nada

    que é mais que ser apenas

                                                                                               Putaquepariu                                                                                               

 

Daí tu vai crescer, vai ficar importante

vão te estampar nos jornais-capas-de-revistas-programas-de-tv

vai dar Putaquepariu em tudo que é lugar.

Daí tu vai crescer, entender de troco, entender de troca, ser candidato,

tu vai ser presidente, Putaquepariu, ser presidente!

E todo mundo vai ter orgulho do Putaquepariu.

 

Ih, não fica assim, Putaquepariu,

nós vamos encontrar a tua mãe,

tua mãe é a nossa pátria.
 
______________________________________
) gabrie!
 
 


Escrito por cepchacal às 12h54
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ADMIRÁVEL MUNDO NOVO – CEP 20.000 DE SÃO JOÃO / 24 DE JUNHO.

 

Estou atordoado. Ainda com o CEP do dia de São João remoendo na memória. Fiz o CEP embriagado. Minha gripe melhorou à base de uma garrafada, uma infusão de cajuarina. Então resovi fazer um chá de gengibre para tomar durante a parada. Na última hora, um pouco de cachaça e o que era chá virou quentão. Como só bebo em dia santo, assumi o risco. É claro que não bom fazer o CEP embriagado. Se eu perder o rumo, o CEP naufraga. Mas durante o CEP o grau foi leve. Aspessoas gostaram muito. Me elogiaram. Depois é que exorbitei. É sempre assim.

Isto posto, foi um dos melhores CEPs que já houve. Apesar da chuva e do frio que assustou o público, os poucos felizardos q foram assistir., vibraram. A iluminação funcionou muito bem. 4 ou 5 lâmpadas de 60 W. tom intimista como convém a um show de poesia e som acústico. As lanternas q comprei no Saara, não funcionaram.

Descarregaram muito antes da grande acontecimento.

Quanto ao show, começou como sempre, com os alunos do André Mautois falando Ana Cristina César e outros poemas. Entraram Dado Amaral, Pedro Rocha, Éber Inácio, que formam meu grupo de poesia, o falapalavra. Wonderful as usual. Um novo poeta, estreiando no CEP, o Gabriel Leibag com seu texto bem tirado. Depois teve as gatas surpresas de Bárbara e Eliza. Elas são um espetáculo. Bárbara então, cantando ao violão, Vapor Barato, foi de escovar meu tampo da cabeça. Muito pra lá de psicodélico.

Bárbara Bárbara Araújo. Entrou o Brumário Experience Blues Band, com Maurício Antoum, Diba e Kiko. Foi extremamente cool. Com o Maurição pra lá de Bukovski.

Ronaldo Santos, poeta da Nuvem Cigana, mandou muito bem seus textos de tiragem beat. Cláudia Neiva Mattos, grande mestra e parceira de Charme da Simpatia, o Bloco, na platéia, exultava. Ainda estremeceram os alicerces do Teatro do Jockey, Bia Provasi e Kyvia Rodrigues, com seus estilos atrevidos de atriz.

E então entra Arnaldo Brandão. E o CEP fica um espetáculo espetacular. Seu tom de fazer as coisas parecerem poesia, seu presença Kool and The Gang, somados à guitarra de Flavinha Couri e ao piano de The Alberto’s e ao texto de Tavinho Paes, foi de emmaluquecer. Arnaldo cantando “Twop thousand miles years from home” do mais psicodélico dos discos dos Stones, “Their Satanic Magic Request”, foi uma comoção. Depois “All along the watchtower”

Do Dylan, acabou por arrancar o tampo da minha idéia. Esse CEP raro, nominado “Admirável Mundo Novo”, terminou com The Alberto’s fazendo um demolidor solo de piano. Eu só seu que quando as luzes se apagaram, eu não era mais o mesmo.

 

Se preparem. Sexta feira, dia 11 de julho, à meia noite, reabertura do Espaço Cultural Sérgio Porto. O CEP vem quente. Homenagem a Ana Cristina César, Fernanda D’Umbra, Mário Bortolotto, Marcelo Montenegro chegam de São Paulo para estraçalhar. Do Rio, Falapalavra, Arnaldo Brandão, Flavinha, The Alberto’s. Ronaldo Santos e Tavinho Paes, os dignossauros. Bruno Levinson tb fala seus poemas. Ainda chamarei outros(as) convidados(as). E se der para botar banda, entra Os outros. Vamos a ver !

 

AGUARDEM ; CEP VOLTA AO SÉRGIO PORTO / SEXTA FEIRA 11 DE JULHO, MEIA NOITE. ARE YOU EXPERIENCED ?

 

 



Escrito por cepchacal às 09h34
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  CASA DA MATRIZ : OITO ANOS DE MUITA VIDA 

 

Domingo ontem fui ao grande pagode de oito anos da Casa da Matriz. Lá tocaram váriadíssimas bandas de 16 a não sei que horas. Entre elas lá estavam o Do Amor, Os Outros, VulgoQinho, Os Subterrâneos, a Fanfarra Paradiso. Oito anos de Casa da Matriz naquela ruinha de Botafogo. Fora os anos que a Casa da Matriz era na rua da Matriz. Os shows que fora seriam. No larguinho do lado da Casa, com a chuva, pra dentro entrou. E foi o melhor 0800 da parada. Uma festa digna dessa Casa que entra ano e sai ano, ensina a galera a se encontrar e tramar, a se formar e informar, a ser. Vcs não imaginam o Rio de Janeiro sem a Casa da Matriz. Nem eu. Por ali passa, passou, passará o grande passaralho da vida louca. Ali se discute fervorosamente se o guitarrista da banda tal chega aos pés do vocalista daqueloutra. E morrem por isso. E eu acho isso fabuloso. Não era isso mesmo que diziam todas as cartilhas modernistas ? Que é preciso morrer em praça pública pelas suas crenças e idéias. Essa vida pagã, abonada pelas leis de mercado, transformaram o tráfico de idéias, o impulso para o suicídio, num barrufo bufo de jactar-se em plena praça para valorizar seu passe no mercado das almas. Mas a Casa resiste aos ventos insalubres de laisser faire, laisser allez, laisser passe. Tudo passa, mas em cada coisa que passa, a marca de uma reflexão, mesmo que embaçada, mesmo que esmaecida pela cortina de fumaça do velho showbussiness, um pensar mesmo que iludido por essa sala de espelhos sem tamanho.

Fui à Matriz imbuído da missão de ouvir as bandas e ouvi. Ouvi Os Subterrâneos. Gostei. Gostei de ouvir Carcará e outras fraturas. Gostei de ver a poeta e tecladista da banda, Alice Sant’anna. Essa moça, aguardem. Conversei com todos os Outros, com o Benjão , o Bubu, o Marcelo Callado. Falamos sobre o Amor e o Ódio. Distribui filipetas do dignossáurico CEP 20.000. É bom estar vivo, comemorando 18 anos desse Centro que verticalizou o horizonte de muitas cabeças. Mas esse é outro papo.

Ontem foi 8 anos da Matriz. Saravei com o Léo Feijó. Ele sabe o que faz.




Escrito por cepchacal às 15h25
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NUNCA QUIS PAPO COM A TRADIÇÃO

PREFIRO UM PACTO COM A REVOLUÇÃO

OS HIPPIES MORREM FUMANDO

grato felipe rey !

 
 http://br.youtube.com/watch?v=b3mi-bKtDGA&feature=related


THE BEATS

Estou
possuído
pela revolta que não me cabe no
peito.
possuído

estou possuído
estranho
extravaso
extrapolo nesta
estrada
estreita

espreito
acompanho a evolução
da revolução
de todas as gerações.

Engatilho o revólver
da revolta
incorporado
atiro contra os retrógrados.
Miro nos crânios de todos eles!

Estou possuído!
Nós possuídos!
Enquanto houver o badalar dos sinos
invocando uma nova invasão.
A juventude sempre estará eternizada!

A retomada do direito de dizer & fazer o que quiser!

É o fim das regras.
Tudo vai estar exposto no banquete da vida
para poder saciarmos os sonhos
ao som nosso de cada banda de garagem.

FELIPE REY


*Para ser lido ao som de The Who em alto e bom volume.
 
 
 
 


Escrito por cepchacal às 15h22
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 próximo CEP, 24 junho,

TERÇA FEIRA, 20 HS 

 

TEATRO DO JOCKEY

(RUA BARTOLOMEU MITRE, 1110 / PERTO DO MIGUEL COUTO /

LEBLON / BAIXO GÁVEA)

 

ENTRADA FRANCA

 

 ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

 

Arnaldo Brandão

The Alberto’s

Flavinha Couri

RONALDO SANTOS

PEDRO ROCHA

Tavinho Paes

DADO AMARAL

KYVIA RODRIGUES

Bárbara + Eliza

Tropicália

GABRIEL LEIRBAG

BRUMÁRIO EXPERIENCE BLUES BAND

Bebendo Beats

Na Boa Cia Teatral

 

.............................................................

 

A PARADA É UMA HOMENAGEM A 68 E TODA

PSICODELIA TROPICALISTA E BEAT DA ÉPOCA

QUEM TIVER ALGO NO GÊNERO E QUISER PARTICIPAR

com relatos de badtrips, imitações de gal, raul, mutantes,

dylan, stones, beatles, etc etc,

MANDE EMAIL PARA rchacal@uol.com.br



Escrito por cepchacal às 15h52
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  POEMÁTICA / 25 / 06 / NA UFF 

 



Escrito por cepchacal às 11h20
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ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

TERÇA FEIRA 24 DE JULHO 

 TEATRO DO JOCKEY

 RUA BARTOLOMEU MITRE, 1110, LEBLON

ENTRADA FRANCA

 



Escrito por cepchacal às 23h08
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O ESPANTALHO E O AGROTÓXICO

 

Hoje, quarenta anos depois de maio de 68 em Paris e do AI 5 no Brasil, podemos ver com uma certa distância e perceber dois momentos diversos na cultura do país e do mundo. Nos anos sessenta, a repressão, a censura, o controle estava nas mãos de um truculento governo militar, sustentado por instituições conservadoras e pela política imperial americana. Era um poder autoritário, torturador, ao mesmo tempo grotesco, bufo. Na verdade, um Espantalho. Para todos os que lhe faziam oposição, seja através da luta armada ou através da mudança de comportamento social, era a ele que se imputava toda a culpa por aquela situação. Era uma postura cômoda de certa forma. Nós éramos a vítima. E se não podíamos fazer nada, culpa do Espantalho. O inimigo era tosco. Protegia com brutalidade absoluta, os interesses de uma casta que queria manter pra sempre seus bens materiais e seus princípios filosóficos. Aqui leia-se o racionalismo científico, a lógica capitalista, poder e glória ao homem branco protestante ocidental. E nós ali, na impossibilidade de incendiar o império, organizávamos a massa ou fazíamos poesia e carnaval.

 

Me lembro que a inércia era vivida por grande número de artistas / intelectuais e seus copos de whisky que a atribuíam ao Espantalho. Nada era possível fazer enquanto durasse aquele estado de coisas.  E nós invadindo cursinhos, escritórios, em busca de mimiógrafos para rodar nossos poemas. Mas também achávamos que a culpa era daquele ogro de palha, encafifado no Planalto. Mas os confundíamos com os azulões malditos, aqueles homenzinhos azuis do filme Submarino Amarelo. E trocávamos o destilado de trigo por substâncias que modificavam nosso estado de percepção e consciência. Intuíamos que o Espantalho não era o único culpado, que ele poderia ser o testa de ferro de um inimigo muito mais cascudo. Um Golias que deveria ser batido com a pedra de toque da poesia. Com hábitos alimentares mais saudáveis. Com pouco apego, pouco apego, pouco apego. Tudo passa, bicho. Até isso o Espantalho detectou. E depois de exterminar à luta armada pelo poder material, passaram a sufocar os que queriam outras forças no comando.

 

Um dia o Espantalho, pressionado por uma sociedade há décadas sufocada, resolveu se abrir. Vão-se os anéis. A batalha já estava ganha. Então o fabricante de espantalhos, resolveu que seria melhor investir em algo menos assustador e mais eficaz contra os eternos gafanhotos. E introduziu o Agrotóxico. Essa sim, uma arma diabólica, onde o veneno é inoculado e atua dentro do inimigo. Não mais palhaços de palha e ridículas roupas caipiras, mas um pó invisível, inodoro, letal. Uma arma digna de uma sociedade de mercado.

 

Hoje, quem se guiava pelo espantalho, perdeu o foco, anda falando sozinho. E o pior, a paranóia clássica da era do Espantalho, onde tudo lhe era atribuído, hoje se passa no interior da pessoa. Como falar mal das grandes multinacionais, do governo, se é deles que provém o sustento de cada um ? Como criticar as grandes empresas de comunicação, se são elas que dão a visibilidade necessária para vendermos nosso peixe ? Pronto, quando se pensa assim, é porque o Agrotóxico está fazendo efeito. Quando procuramos adaptar nossa linguagem, nossa invenção mais desejada às regras do mercado, aí é encomendar o caixão.

 

O sistema é muito esperto. Mas suicida. Já não sabe ou não quer mais adiar o fim definitivo. Fizeram tudo para se manter no poder. Aos inimigos, tentaram desqualificar com os termos: marginal, besteirol, desbunde, hiponga, bicho grilo, nanica , sapatão , boiola, macaco, tiziu. Ganharam alguns em troca:

patricinhas, mauricinhos, playbas, yuppies, wasps.

A guerra não terminou. Houve ganhos e perdas dos dois lados. Hoje os criadores do Agrotóxico se intitulam Sistema Único. Invadiram o oriente e serão invadidos por eles.

Virão ainda com outros biotóxicos em escala crescente como o gás sarin, o antrax e outras guloseimas. Mas dentro de cada um, do mesmo jeito que o mercado opera para reprimir qualquer subversão, um índio, um caboclo, um chinês, um xamã, um griot, confabulam.

e a um só sus !

 todos invadirão !

 

chacal (rio 08 / 06 / 08)

 

 



Escrito por cepchacal às 22h52
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ah se houvesse uma máquina do tempo

e esses caras pudessem desembarcar aqui agora.

para desmascarar eles próprios.

e voltar a ensinar.




Escrito por cepchacal às 19h21
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 “ BRANCO SOBRE O BRANCO / CEP 20.000 / CEPENSAMENTO “

 

 

   guilherme zarvos

 

  AH .... EU TÔ MALUCO !!!!!! 

 

Na porta, uma pilha de folhas impressas envoltas em tapetinhos de banheiro, multicoloridos. Na sala, vários papéis de seda de embrulhar balas de coco, espalhadas pelo chão. Por sobre o quadro negro, capas, camisas, panos espalhados. Na platéia um mix de poetas, artistas e pensadores.  Em frente ao quadro negro, a mesa examinadora. À esquerda da porta, sentado num banco escolar, cercado de refrigerantes e cafezinho, Guilherme Zarvos !

Foram quase quatro horas a não - argüição. Zarvos fez uma não-tese, fez um livro-colagem de textos, imagens, falas, falas, falas que resume bem a polifonia que habita nele. Zarvos, como foi dito e redito, é um corpo que acolhe outros, que gera outros, em sua absoluta capacidade de se conectar à tudo que vive, a se metamorfoasear em tudo que toca.
E a defesa, que na verdade, foi um bate papo afetivo de todos na sala, foi apenas uma das faces da efeméride. Após a aprovação unânime de sua tese denominada

 “ BRANCO SOBRE O BRANCO / CEP 20.000 / CEPENSAMENTO “ onde ele soube como ninguém, transgredir os estatutos daquela gafieira, com sua proverbial astúcia de border liner, com sua incrível persistência – creio que seu doutorado durou 5 anos – não fosse ele um legítimo fundador do CEP 20.000, lá foi ele e sua queridíssima entourage, inaugurar a Loja. A Lojas é um pequeno espaço de 15 m2 no Catete para a venda de livros, cds, vinis, peças de arte e centro de encontro da rapaziada. Não sei como foi. Sei que teria show d’ Os Outros e várias performances, onde se exercitou a Poesia ZAUM.

Uma gripe insistente não me deixou ir. Comi uma pizza com a Fabiana no Zona Sul e vim quietinho pra casa. Soube que a Loja tem lindos e tristes trastes, um verdadeiro Merzbau, de Kurt Schitters. Desde já um lugar de peregrinação.

 

Mas de tudo o que mais me estimula nessa transposição das águas do São Francisco para a velha PUC, é a percepção que a Academia começa a lidar com o conceito de performance. . Algo que fazemos há 18 anos no CEP 20.000. Algo que só existe em presença, só existe no aqui agora - papo hippie ? - e que representa muito mais do que os infinitos elementos que a compõem. Como dimensionar a entrada calma e elegante do Paulo Fritchner, acometido de angustiantes soluços, depois de augüição começada ? Ou a beleza do poema de Drummond e da fala de Sérgio Mota ? Da perfeita articulação e rapidez de raciocínio de Ericson Pires, nosso diretor presidente do Acadêmicos do CEP 20.000, da emoção da fala da Camila do Valle, poeta e amiga, a fala final e definitiva de Roberto Corrêa dos Santos, co-orientador de Zarvos, que argüido por Dado Amaral, sobre critérios para avaliar a tese transalgumacoisa do Guilherme, se saiu com muito brilho, defendendo a idéia de a academia se abrir para novos estados de consciência.

 

A primeira vez que a academia através de Cacaso, Heloísa Buarque, Roberto Schwarz se uniu à rua, a vida lá fora, ao mimiógrafo, foi gerada a Poesia Marginal, nos anos 70. Quem sabe se, depois de um período incubada, hoje 2008, essa aproximação não possa se dar de uma forma revitalizada ? Sob o manto borderliner de Zarvos, a tradição do CEP 20.000 e a percepção urbana de uma Fernanda Medeiros,  de um Ericson Pires, de um Ítalo Moriconi !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!  

 

ALLEZ UP !!!!!!!

 

 

puc / rio.



Escrito por cepchacal às 19h21
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 boa sorte zarvoleta. grande travessia acadêmica. felicitações.

 toca o CEP daí, que eu toco de cá.

 



Escrito por cepchacal às 15h31
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cep 20.000, 24 de junho, teatro do jockey 

 ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

a geração 68 deu a possibilidade de ver como a terra faz sua translação ao redor do sol através de substâncias psicodélicas e do amor livre, ela potencializou a maneira de se informar, de criar, através de chips e da web. ela ainda descobriu um jeito de reinventar a forma de produzir, distribuir e apreciar novas poéticas urbanas, a vida como ela é e pode ser.  mas quem quiser continuar reproduzindo os mesmos valores, os mesmos processos do tempo anterior ao dilúvio, isso é com cada um. negociar com o sistema é uma coisa. sem isso é a volta às cavernas. mas se submeter e se acomodar, é derrota.

  vamos lá. vamos juntos. allez up !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! 



Escrito por cepchacal às 11h47
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nas fotos, momo com um broto no colo / márcia x. / pedro luís e antonio saraiva / hélio portocarrero,

maria júlia vieira, fábio ferreira / alex hamburger.

o globo, domingo, 12 de setembro de 1993

o cep tinha pouco mais de 3 anos. e era o grande acontecimento da cidade. a gente não dava muita bola pra mídia. a gente queria mais é se divertir. e assim pensava, a maior parte da ala pensante dessa cidade. o cep era o crème de la crème. então a mídia vinha cobrir. e fazia trocadilhos maravilhosos, chamando o espaço cultural de hospício cultural, chamando o que era o centro de experimentação poética de uma onda de doidivanas. assim é a mídia. mas o cep soube e sabe muito bem que o que faz seu sucesso é a galera. é o grande desfile de imprecações, de atrações de fino trato, de presenças emulcionadas, de absoluta liberdade de expressão. de simpatia e vamolá. chegamos aos 18 e mais 18 virão. a poesia não tem fim.



Escrito por cepchacal às 21h45
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